Guia-me:
O senhor acredita que a Igreja usa de marketing e publicidade
para atrair pessoas? Se utiliza, ela tem feito de maneira
correta?
Edmilson
Mendes: A igreja usa. Desde o grupo de jovens local,
até o presbitério geral, a igreja tem usado
a internet, a mídia impressa, seu veículo interno
para falar com o seu público... É o 'cartazinho',
o convite. Acho que dentro da realidade da Igreja, ela usa
de forma correta. Digo realidade a condição
financeira que ela tem. Existem igrejas e igrejas, umas têm
dois milhões de dólares para investir em marketing
e outras não têm, então cada uma dentro
da sua realidade - sem criticar a que tem ou a que não
tem -,usa as ferramentas que estão ao seu alcance.
Guia-me:
Então, cartazes, slogans, propagandas televisivas,
feitas de maneira correta, são válidos?
Edmilson
Mendes: Sim, são válidos. São
ferramentas que estão aí para serem usadas.
A propaganda não é ruim, ela pode ser ruim se
for usada para fazer uma lavagem cerebral nas pessoas, mas
enquanto ela oferece um produto para nós escolhermos,
ela é boa. Enquanto um produto começa a ser
fabricado em baixa escala, ele é caro, mas à
medida que você tem a propaganda, ela divulga, as pessoas
começam a comprar e isso é produzido em grande
escala, o preço cai. Por exemplo, a TV de plasma que
custava 10 mil e hoje já está por 2 mil,ou seja,
a propaganda foi boa para mim, ela me deu acesso a uma coisa
que eu não tinha. Agora, quando a propaganda me faz
consumir coisas que eu não preciso, me engana e me
hipnotiza, ela é ruim, mas isso vale para todas as
áreas da atuação humana.
Guia-me:
Alguns líderes observam a Igreja como uma empresa com
valores diferentes. A Igreja pode ser vista e comparada a
uma empresa?
Edmilson
Mendes: Até certo ponto, sim. A gestão
de uma igreja tem que ser ética e profissional, então
pode emprestar uma série de estratégias, planejamento
e palavras do mundo empresarial, mas temos um limite, porque
a Igreja não é uma empresa, ela é Igreja.
Ela funciona diferente, é um organismo que tem pessoas,
então não dá para eu ficar mensurando
uma meta e falar 'tem que ser assim' porque há tantas
variáveis! Tem dia que você acorda emocionado,
na fossa, triste, revoltado, deprimido, e tem dia que você
acorda 'pra cima',e a Igreja é desse jeito... O Espírito
Santo é soberano para fazer o que quer com a Igreja,
independente dos nossos planos, e se eu perder isso de vista,
vira uma coisa mecânica, e a Igreja, nesse aspecto,
não pode ser assim.
Guia-me:
Em sua opinião, Igreja cheia representa êxito
na pregação da Palavra e na publicidade?
Edmilson
Mendes: Não. Crescimento não pode ser
a resposta para se aquela Igreja está certa ou errada.
Tem muita Igreja que está cheia, mas tem um conteúdo
horroroso, e tem Igreja que está cheia e oferece um
conteúdo muito saudável, mas isso não
é toda a verdade, porque também há igreja
que tem um conteúdo muito legal e está vazia,
assim como uma com conteúdo horroroso que também
está vazia. Não dá para medir igreja
cheia dessa forma. Existem igrejas cheias por 'N' coisas:
pregador, música boa, grupo de louvor, adoração...O
que funciona é a multiforme graça de Deus, não
temos que nos preocupar em padronizar uma igreja porque as
pessoas são diferentes. Eu posso não gostar
daquela, mas tem um público que gosta, e a graça
de Deus está atuando. Não podemos achar que
só nós somos bons, só nós sabemos
fazer bem feito, até porque também cometemos
equívocos, 'pisamos na bola', erramos.
Por
Juliana Simioni
Fonte:
Guia-me - http://www.guiame.com.br
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